o que é autismo

O Que é Autismo?

O autismo pode parecer um pouco obvio para algumas pessoas, mas de fato não é tão simples assim.  Se você perguntar uma pessoa se ela sabe o que é, provavelmente dirá que são crianças que não olham nos olhos, que ficam repetindo as mesmas palavras ou não ficam quietas e até mesmo crianças que ficam movimentando repetidamente os braços.

Mas caracterizar dessa forma pode tornar o conhecimento sobre o autismo muito simplório e superficial, incorrendo a um grave erro a esse respeito, pelas razões discorridas a seguir.  

De acordo com Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, na sua 5ª edição (DSM-5), o autismo é um Transtorno do Neurodesenvolvimento, caracterizado por déficits no desenvolvimento infantil pois o autismo tem vários níveis de intensidade, variando em um espectro podendo ser de leve intensidade a grave.

É muito fácil uma pessoa ver características típicas do autismo em uma pessoa e identificar do que se trata, mas e os que apresentam traços leves? Existem casos em que é difícil o diagnóstico até mesmo para um profissional. Não é raro alguém dizer: “Mas ele olha nos olhos, não pode ser autista…”.

Outro ponto é que um entendimento superficial sobre esse mundo, não permite enxergar o potencial que essas crianças têm, várias habilidades que bem trabalhadas podem ser verdadeiras obra de arte na vida dessas pessoas. Temos vários exemplos de cientistas e artistas renomados autistas como Bill Gates e Temple Grandin por exemplo.

(Veja o post Autistas famosos e surpreendentes do blog Deficiente Ciente – https://www.deficienteciente.com.br/autistas-famosos-e-surpreendentes.html).

Dessa forma podemos dizer que o autismo se caracteriza por um conjunto de sintomas que impactam nas áreas da socialização, comunicação e comportamento. Sem dúvidas a área mais comprometida é a interação social.

1 – Disfunções sociais

As habilidades sociais são as mais comprometidas conforme mencionado acima. Presente em todos os níveis do espectro, interpretar sinais sociais e as intenções dos outros impedem que as pessoas com autismo consigam entender as situações que acontecem no ambiente.

Pessoas com autismo tendem a focar mais nos detalhes que no todo (hiper foco) e agir de maneira mais lógica com relação aquilo que está em torno dele. Assim, entender um contexto de duplo sentido, expressões faciais e relações sociais mais complexas são um verdadeiro desafio. Isso explica a melhor interação de quem tem TEA com objetos e animais. Geralmente são mais fáceis ser compreendidos. Animais por exemplo não tem uma infinidade de expressões faciais como os humanos, tornando mais fácil a interação com eles.

2 – Disfunção da linguagem

A disfunção de linguagem pode aparecer em vários níveis, desde a dificuldade em iniciar diálogos, estereotipia como repetição de frases fora do contexto (ecolalia) e até mesmo comunicação exclusiva por sinais e imagens.

Nossa comunicação pode ser dividida em verbal e não verbal e podemos usar ambas para que se façam conhecidas nossas ideias e pensamentos. Para que possamos nos socializar, a comunicação sem dúvida é o principal meio que utilizamos. Para uma pessoa com autismo, isso pode não fazer sentido como costumamos pensar. Podem usar repetições de frases ou trechos de filmes ou até mesmo músicas, mas sem o objetivo de se comunicar, inclusive estando sozinhas.

Uma característica bastante comum no autismo é a ecolalia. Se trata de repetições fiéis das falas dos filmes e diálogos do dia a dia dos pais por exemplo. Podem memorizar e repetir incansavelmente essas frases e geralmente são faladas sem ter conexão com o contexto do ambiente que ela está, ou seja, não tem o objetivo de transmitir uma ideia completando uma comunicação efetiva.

3 – Disfunções comportamentais

Observamos que nosso comportamento está relacionado com a cultura da sociedade que crescemos. Aprendemos os comportamentos que serão socialmente aceitos e os que não fazem parte desse ciclo social tem a tendência de ser reprovado pelo grupo social.

Os comportamentos de pessoas com autismo são independentes da cultura ou grupo étnico, ou seja, dependem mais do seu próprio desenvolvimento particular. Dessa forma podemos reconhecer esses padrões de comportamentos mesmo em estrangeiros que podem ser divididos em 2 grupos:

  • Comportamentos motores estereotipados e repetitivos
  • Comportamentos disruptivos cognitivos

Os comportamentos estereotipados podem ser pular, balançar o corpo, bater palmas agitar ou torcer os dedos e fazer caretas. São caracterizados por serem realizados da mesma maneira, alguns pais também relatam manias desenvolvidas nesses comportamentos.

Já o comportamento disruptivo cognitivo pode ser compulsões, rituais e rotinas, mesmice e aderência a alguma regra ou necessidade de ter coisas somente por tê-las. Em resumo, esse comportamento se caracteriza pela criança querer fazer sua rotina sempre da mesma forma. Caso seja alterado o cominho que ela faz para escola ou para outro local, horários de refeições e tarefas, roupas, objetos que utiliza no dia a dia causam grande desconforto e irritação por essa criança.

Estudos no campo da neuropsicologia mostram que pessoas com TEA aparentam ter dificuldades nas funções cognitiva executivas. Essas funções são responsáveis pelo planejamento e execução de tarefas e na resolução de problemas.

Por isso elas têm dificuldade em se adaptarem a novas rotinas, pois, ao invés de ter que planejar e aprender uma nova forma de fazer, elas usam o campo da memória e como fizeram anteriormente para resolverem os problemas cotidianos. Ficam aflitas por terem que escolher entre várias opções e se apegam excessivamente a uma regra escolhida.

Essa restrição de escolhas pode acumular a longo prazo um déficit muito grande no seu aprendizado.

Como já mencionado antes, todas essas características fazem parte de um espectro que tem várias intensidades e variáveis. Cada pessoa apresenta um conjunto de dificuldades diferentes que variam de intensidade.

Podemos observar com essa breve explanação de que um lar que recebe uma criança com autismo nunca mais será o mesmo. Esse lar terá que ser adaptado para que ela possa se desenvolver, pois ela sente o mundo diferente da nossa percepção. As pessoas de seu convívio precisam se colocar no lugar dessa criança e pelo menos tentar ver o mundo com os olhos dela.

Fiz um post aqui no blog que fala sobre autonomia para educação do seu filho. Lá falo um pouco sobre como inserir gradativamente pequenas tarefas da rotina do lar de acordo com a idade da criança. Recomendo essa leitura para ajudar a se orientar quanto ao que é esperado para idade do seu filho.

Para concluir, o ponto chave não é a família saber tudo sobre o autismo, mas aprender com o passar do tempo aquilo que eles não sabem sobre a criança e podem ter certeza de que a família também aprenderá muito com essa criança.

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