Maternidade: Expectativa vs Realidade

A maternidade é sonhada por uma grande parte das mulheres. Também não é para menos, pois já nascemos cheias de estímulos para o cuidado.

Brincar de casinha, brincar de boneca é o cenário que mães de menina geralmente vivenciam. Hoje graças às novas construções que nos propomos a fazer, os meninos também tem se apropriado dessa brincadeira, experimentando o brincar de bonecas, de casinha, que é um pedacinho do que desejamos de verdade que aconteça na vida adulta, homens participativos.

E diante dessa “fantasia” de brincar a mulher cresce nesse desejo pela maternidade. Por outro lado, temos desejos que nem sabemos a origem deles, mas eles estão vinculados à história de vida.

Assim, a maternidade também pode ser caracterizada por razões que não temos consciência dela:

1- Tornar mãe para não ficar sozinha na velhice.
2- Tornar mãe para dar um filho para minha mãe (filha única e mãe com histórico de abortos).
3- Minha amiga é mãe, e eu fico “boiando” nos assunto dela.
4- Por que meus pais me cobram netos.
5- Dar continuidade na existência humana.

Enfim, poderíamos listar diversas razões pelas quais podem ser de fato o desejo pela maternidade.

Algumas mulheres tem um planejamento e como desejam que aconteça a sua maternidade, seja quanto á carreira ou padrão econômico. Mas nem sempre conseguem como o planejado.

Para além do planejamento de carreira e financeiro, existem outros critérios que deveriam ser pensados e trabalhados e que uma grande maioria das mulheres não estão preparadas para ela.

Você já deve ter ouvido dizer: “Nossa que legal que está grávida. Aproveite para dormir agora, depois que bebê nasce, nunca mais você dorme”

Ou ainda: “nossa, que legal que será mãe, é a melhor coisa do mundo” e com isso você enche seu medidor de expectativas.

Os acompanhamentos de pré-natal são em sua maioria com obstetra. Em alguns casos passa pelo nutricionista quando há necessidade de acompanhamento específico.

Porém é no Plano de Parto que é o momento que você será ouvida nos seus desejos e anseios para o parto, na perspectiva de oferecer um atendimento humanizado.

E o que acontece depois?

E quando o bebê nasce?

Quem é que ensina sobre o que irá acontecer?

O que acontece depois do parto?

O bebê nasce e você já inicia os cuidados, como amamentar, trocar e naquela primeira noite você já não consegue descançar, depois de um trabalho de parto exaustivo.

Sim, parto dá trabalho e é exaustivo, não é verdade?

São tantas demandas, são tantos aprendizados e eu sempre digo que é de ambos, do bebê e da mãe. Aprender a segurar o bebê, apoia-lo de maneira confortável, dar banho, amamentar, interpretar o choro, dentre outros.

Entretanto, são aprendizados que as mamães passam certo desconforto para aprender, mas nada se compara ao que se passa psiquicamente com essa mãe.

A mãe deseja que o filho durma a noite toda, e ele não dorme. Anseia amamentar livre demanda, linda e plena como nas fotos de campanha de amamentação, mas doi, os mamilos racham, saem sangue, o bebê não pega corretamente, e no meio disso tudo tem o Palpitômetro rodando solto e a Dona Comparação também veio visitar os recém-nascidos.

A angústia dessa recém-mãe começa a aumentar, ela não dá conta de falar o que se passa com ela, tem vontade de ficar longe do bebê, de dar ele para outra pessoa cuidar, porque o que ela deseja mesmo é dormir, mas se sente culpada por pensar algo desse tipo, sendo que seu bebê é tão perfeito, tem saúde, desejou tanto esse filho(a).

E assim, os dias seguem cansativos e doloridos para essa mãe e ninguém à sua volta consegue perceber o que se passa com essa mulher que vivencia a dolorosa descoberta do puerpério.

É certo que temos que focar nosso pensamento no positivo, fazer as melhores escolhas possíveis para ter um puerpério com menos tensão. Preparação, informação, autoconhecimento, rede de apoio segura são requisitos fundamentais para esse momento.

Preparação: 

  • Escolha um obstetra que te atenda de forma humanizada, que te escute, que te oriente, tire suas dúvidas com relação ao processo de estar grávida, com o que você pode ou não fazer.
  • Faça ou peça para fazer, se não for oferecido, o Plano de Parto, pois é nesse momento que você fará decisões importantes sobre seu parto.
  • Busque ajuda de outros profissionais que atuam na atenção à gestante, como educadoras perinatal e parental, doulas, psicólogas, nutricionistas, consultoria em amamentação, detre outras.

Informação:

  • Busque orientação sobre seus direitos na escolha do tipo de assistência que é disponibilizada no serviço de saúde que você tem acesso.
  • Busque grupos de mães orientado por profissionais da perinatalidade que discutem e trabalham os aspectos da maternidade, não apenas no fator de saúde física, mas também psicológica
  • Converse com outras mães que passaram recentemente pela maternidade, elas terão boas informações à compartilhar

Autoconhecimento

  • Dê ouvidos à você, escute o que está sentindo, permita-se sentir cansada, frustada ou com raiva e fale sobre isso com um profissional;
  • Terapia pessoal auxilia no processo de autoconhecimento, na descoberta de seus valores, isso ajuda nas suas escolhas;

Rede de apoio segura:

  • Escolha as pessoas que possam te auxilar nesse momento, após o nascimento do bebê.
  • A rede de apoio para ser segura se caracteriza por pessoas em quem você confia e que te passa segurança e tranquilidade.
  • Escolha pessoas que te apoiem e não que te juguem.
  • Escolha pessoas que cuide do seu bebê enquanto você descansa.

Para não esquecer

Percebe que nesse contexto há um confronto da expectativa que temos da maternidade e a realidade que assusta muitas mães? Muitas vezes as famílias não compreendem o que se passa com a mulher.

Agora você que é mãe, compreende o que se passa ou se passou com você. E se você não é mãe ainda, pode compreender o que se passa com sua irmã, ou amiga e orientá-las de forma mais assertiva.

A preparação e a informação são fundamentais para o sucesso em muitos âmbitos da vida. Na maternidade não é diferente. Entenda que, com esses pilares você conseguirá definir os demais requisitos que mencionamos acima para viver uma maternidade mais tranquila.

A maternidade real é a sua, não é a que idealizou, não é a da sua irmã, cunhada ou amiga. Saiba que cada ser humano é único, por isso as comparações são injustas e em nada contribuem.

Por outro lado, hoje temos vários profissionais dedicados à maternidade, ao atendimento de mães e bebês nas diversas dificuldades que podem encontrar, como na amamentação, no sono, nos primeiros cuidados, e também atenção psicológica às mamães.

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Abraços,

Rachel Chaves

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